A produção industrial representa uma componente essencial do PIB, em muitos países.A China é, desde 2010, o líder mundial no setor industrial, intitulando-se como “a fábrica do mundo”, gerando 4,16 biliões de dólares (B$) e representando 26% da quota de mercado mundial. Os EUA, Alemanha e Índia juntos produzem 4,11B$, com os EUA a contribuir com 2,49 B$, a Alemanha com 845 B$ e a Índia com 781 B$.
Neste domínio, a tendência global aponta para a automatização e robotização crescente, a transição energética e descarbonização, a reorganização de cadeias de distribuição (reshoring, nearshoring), a adoção de IA e Indústria 4.0.
Olhando para o futuro, é provável que a China mantenha ou expanda o seu domínio, impulsionada pelos avanços tecnológicos, pela IA e sistemas de supply chain resilientes. Aliás, é neste registo que a estratégia “Made in China 2025” assenta os seus pilares. Pelo seu lado, os EUA estão a reposicionar-se de forma ativa, investindo em indústrias de alta tecnologia, com a finalidade de reduzir este diferencial. O setor industrial da Índia continua a crescer, embora enfrente desafios de âmbito político e de infraestruturas. A Alemanha continua a representar um centro industrial de precisão, sendo líder europeu, mas o aumento dos custos de produção face à concorrência tem condicionado o seu crescimento futuro.
Até 2030, a China poderá ultrapassar os 5B$ de dólares em produção industrial, sendo provável que EUA e Índia também conheçam um crescimento notável. No entanto, a diversificação global dos sistemas de supply chain pode levar a uma distribuição mais equilibrada do poder industrial.
Olhemos para o terreno: as empresas de e-commerce e das áreas tecnológicas têm-se ramificado em diferentes setores e os gigantes chineses não são exceção. De acordo com o China Mega Report as principais empresas de tecnologia chinesas – Alibaba Group, Tencent, Meituan e PING AN – estão a conhecer uma transformação estratégica, aproveitando a IA, a computação em cloud e inovações fintech para redefinir os seus modelos de negócio.
A Alibaba concentra 46% da sua receita no comércio eletrónico e investe cada vez mais em IA (11%), existindo a expetativa de que se possa tornar o líder global neste domínio.
A Tencent continua a dominar as áreas de gaming e entretenimento (49%), mas também a sua aposta nos serviços empresariais e fintech (31%) tem registado um rápido crescimento, ao ponto de se perspetivar que passe a liderar o mercado mundial, alinhando-se com o boom da banca digital.
A Meituan, líder em distribuição alimentar (56%), começou a diversificar a sua oferta para o setor das viagens (30%) e venda generalizada de produtos. A sua expansão futura provavelmente incluirá investimentos significativos na logística de cidades inteligentes, entrega autónoma e serviços de hospitalidade orientados por IA.
Finalmente, a Ping An, uma grande potência financeira, tem apostado na integração da IA em seguros de vida e saúde (45%), impulsionando a avaliação de risco digital e inovações na área dos seguros.
Vejamos outros exemplos industriais de origem chinesa e com grande expressão mundial. É o caso da CATL – líder mundial absoluto em produção de baterias de iões de lítio para veículos elétricos, da DJI que representa 70% da quota de mercado mundial na produção de drones civis e se tem diferenciado na inovação em sensores, câmaras, estabilização e software de voo, ou ainda da SenseTime que opera com IA no reconhecimento facial, análise de vídeo e algoritmos preditivos.
Nos próximos cinco anos veremos este conjunto de empresas a priorizar a integração de IA em todas as suas áreas de negócio, com a ambição de se tornarem protagonistas mundiais de grande valor.
Uma coisa é a dimensão da produção industrial, outra é o valor das marcas. Sabemos que ainda é nos EUA que reside a maior representatividade neste domínio. Mas também sabemos que a “nova rota da seda chinesa” tem a ambição de lutar por esse campeonato: é que é aí que reside o valor percebido e económico.
in https://executiva.pt/blogues/a-nova-fabrica-do-mundo-como-a-china-se-prepara-para-o-futuro/

