No último ano, o setor de distribuição alimentar na Europa conheceu um crescimento modesto de apenas 0,2% em volume, uma tendência que segundo um estudo da McKinsey deve persistir até 2030. Esse crescimento limitado é resultado de várias dinâmicas, como o baixo crescimento populacional, a par do aumento proporcional da população mais idosa, que consome menos. Adicionalmente, há uma migração gradual do consumo alimentar para o setor de restauração, com o respetivo reflexo nas vendas em supermercados e hipermercados. Na realidade, o comércio online e as lojas de desconto são canais em forte expansão, sobretudo nas categorias de alimentos frescos e refeições prontas.

Por outro lado, as marcas próprias continuam a ganhar quota de mercado, representando cerca de 40% do total das vendas do retalho alimentar e cujo impulso resulta de um aumento da procura por produtos com melhor qualidade e uma identidade própria, que vão além das marcas brancas. Estas, não representam apenas uma alternativa económica para os consumidores, na medida em que também contribuem para ganhos de competitividade dos retalhistas, seja por força do reforço da notoriedade de marca ou de uma maior eficiência operacional.

Outro fenómeno relevante é o crescente interesse pela alimentação saudável, especialmente entre a geração Z, que procura produtos funcionais, de origem local, recicláveis e com ganhos de responsabilidade social, ainda que o preço continue a representar um importante fator chave de compra. Neste segmento, assiste-se igualmente a uma diminuição do hábito de cozinhar, facto que resulta evidente pela ascensão do canal de foodservice, sobretudo no formato “on-the-go”. Perante estes movimento, coloca-se o desafio aos retalhistas de incorporar práticas sustentáveis que não aumentem o custo para o consumidor.

Tal como na grande maioria dos setores, também no retalho a personalização tornou-se um fator crítico de sucesso. Hoje, os consumidores esperam uma experiência de compra personalizada, com integração funcional entre os canais físicos, online e mobile. Esperam um atendimento rápido e eficiente, mas também humanizado, o que exige uma combinação de inovação digital com o toque pessoal, que, paradoxalmente, continuará a ser fundamental para criar uma verdadeira ligação emocional.

É nesse sentido que também os meios publicitários no retalho estão a crescer rapidamente, representando uma nova fonte de rentabilidade para os retalhistas. Em 2024, o investimento em retail media na Europa atingiu perto de 15 mil milhões de euros e deve duplicar no espaço de 5 anos. As tecnologias emergentes, como a inteligência artificial generativa (gen AI), estão a ser usadas pelos retalhistas para otimizar campanhas de marketing com a finalidade de melhorar taxas de conversão e fidelização, através da oferta de promoções personalizadas e únicas.

Num setor fortemente competitivo e com índices modestos de crescimento, mais do que nunca, os retalhistas precisam de focar-se em estratégias de diferenciação para conseguir ganhar quota de mercado. Seja em categorias de produtos com elevado potencial de crescimento, como alimentos saudáveis e funcionais e refeições prontas ou através do fortalecimento das marcas próprias, ao mesmo tempo que diversificam as suas práticas de marketing, experiência do cliente e forma de comunicação.

Em suma, a chave para o sucesso no setor de distribuição alimentar reside na capacidade dos retalhistas se adaptarem rápida e constantemente às novas tendências de consumo.

Os caminhos do sucesso assentem em 3 pilares estratégicos: inovação, sustentabilidade e personalização. Aqueles que souberem responder de forma ágil às mudanças nos hábitos e preferências dos consumidores, estarão não só a conquistar o mercado presente, mas a garantir a sua relevância e crescimento sustentável no futuro.

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Published On: Abril 22, 2025 /